domingo, 16 de novembro de 2014

Capítulo 1

- Calma mãe, eu não estou indo para a guerra! Está tudo bem! - Falei enquanto enxugava uma lágrima que caía sobre seu rosto
- Está tudo bem pra você Ana, sabe que eu tenho medo.
- Mãe, é Londrina! Não tem do que ter medo!
- Você diz isso porque é o seu sonho, é a cidade dos seus sonhos! Não queria deixar minha pequena ir embora tão cedo.
- Mãe, olha só, vamos nos ver novamente várias e várias vezes. Vamos nos ligar, mandar mensagens, e nos falar por mensagens de vídeo, você sabe como faz. Vai dar tudo certo, mantenha o pensamento positivo, você deveria estar feliz!
- Eu estou feliz meu bem, sei o quanto isso é importante para você! Mas não me tire do direito de me preocupar com meu bebê! - Ela riu e eu a acompanhei
- Esse é o meu sonho mãe! Não me lembro de um dia que estive mais feliz! - Ouvi o voo ser anunciado pela segunda vez - Se acalme, eu te amo. - Falei tomando - a um abraço gostoso, daqueles que a gente sente que é bem vindo e não quer soltar mais. Me segurou mais alguns segundos ali, apertada contra seu peito.
- Tome cuidado, a cidade dos seus sonhos também pode oferecer perigos, e me ligue assim que colocar os pés no chão novamente. Te amo pequena!

Então, olhei para o meu pai que mantinha o olhar fixo nas outras pessoas que se encontravam ali, firme e forte, sem derramar uma lágrima sequer. Ele não faz o tipo sentimental, essa parte na verdade, minha mãe faz pelos dois. Ele nos olhou e sorriu. Havia um brilho em seu olhar.

- Então pequena, conseguiu o que queria! - Exclamou risonho - Vai morar nas cidades do seu sonho, não é? - E me tomou em um abraço inesperado. Aconchegante, apertado,abraço de pai. - Boa sorte minha menina, Londrina te espera!

Eu amava o jeito do meu pai falar, eu me sentia importante. Revirava aquela felicidade em meu estômago. Sorri espontânea.

- É pai, Londrina me espera! - Concordei - Cuida bem da chorona, eu te amo muito! - Falei enquanto o voo era chamado pela última vez, ele respondeu apenas com um sorriso.
- Vai logo menina!

Soprei um beijo para a chorosa da minha mãe antes de passar pelos portões, ela estava encostada no ombro do meu pai, molhando sua camisa. Eu sabia que seria um início difícil para ela, já que eu passava grande parte do meu tempo com ela, mas tinha meu pai, ela entendia o que tudo isso significava para mim, e tenho certeza de que aos poucos, conseguia tranquilizá-la.

Sentei em minha poltrona, coloquei os fones de ouvido e deixei-me levar pelas músicas, eu nunca andei de avião. E espero que seja uma boa sensação, mas se não for, quem se importa se eu vou pousar em Londrina? A cidade dos meus sonhos, sempre fui encantada por ela, em todos os meus aniversários, no momento de assoprar a vela e fazer um pedido, esse sempre era o meu pedido. Ir até Londrina, a tão bela Londrina.

[...]

- Senhorita? - Abri meus olhos lentamente, um pouco confusa - Acabamos de chegar.

Parabéns Ana, chegamos em Londrina e você perdeu a vista de cima por estar d-o-r-m-i-n-d-o cara, dormindo! Essas coisas só acontecem comigo, olhei ao redor e o avião já estava vazio. Muito legal, também sou a última a descer do avião, no aeroporto de Londrina.

Desci apressada e fui caminhando para a "entrada" . Sentei em uma poltrona que encontrei vazia e peguei o celular, o bom é que já estava sem bateria. Acho que ligar para minha mãe ficaria para depois.

Depois de alguns minutos tentando, finalmente consegui um táxi. Minha avó havia alugado para mim um apartamento, contrato de um ano por enquanto. Se eu gostasse - E seria impossível não gostar - fechariam contrato para mais um ano.

Mostrei ao motorista simpático um papel onde estava escrito o bairro e tudo que era preciso para chegar.

- De onde você é senhorita? - Perguntou simpático taxista
- Bahia!
- Estudante?
- Bom, sim, estou pretendo morar aqui! - Exclamei empolgada
- Muitas meninas vem de outro estado morar aqui! - Exclamou orgulho, ah!, seu eu fosse londrinense também teria um orgulho imenso desse lugar. E quando eu percebi, já havia contado tudo como eu tinha ganho a viagem da minha avó e como minha mãe era contra. Por fim, quando acabei, resolvi aproveitar a paisagem que tinha o meu redor.

Abri minha janela e deixei o vento daquela cidade maravilhosa bater em meu rosto e procurei observar cada mínimo detalhe. Apesar de ser um pouco difícil, já que estava de carro. A arquitetura, as obras, as pessoas, as roupas, tudo, tudo aqui é magnífico!

Minutos depois, ele parou em frente a um prédio, apontando ele e em dizendo que era ali. Ajudou-me a tirar e carregar as malas até a portaria. Agradeci e paguei, parando em frente ao edifício onde eu iria morar, olhei ao redor, suspirei e agradeci por tudo aquilo ser exatamente como é.




2 comentários:

  1. Leitora nova aquii nega \0/ e estou curiosa para saber como vai ser essa história , posta mais!
    @JessiccaSales

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