Esqueci como respirava por uns dois segundos, depois enchi os pulmões daquele ar puramente londrinense. Meu Deus, eu vou conhecer o Luan! Meu Luan!
John servia-se da minha sopa com a maior naturalidade, como se a futura presença do Luan Santana não fizesse diferença alguma!
Ok, Ana, pense um pouco. Para o gerente do Barolo, devia mesmo ser natural. O Luan é louco por esse restaurante. Acabei minha sopa e respirei fundo. Preparei o típico chá de maracujá, eu preciso me acalmar. eu tenho de parecer uma garota normal, eu não posso surtar na presença deles se não quiser perder o emprego. Eu gosto de trabalhar aqui, eu preciso do dinheiro.
Lembrei da garota desgrenhada e suada que vi no espelho minutos antes. O pânico bateu;
Meu Deus, será que uma vez na vida, eu não podia estar bonita na presença de pessoas que me deixam sem ação?
Na verdade eu não sei se eles me deixam sem ação, mas imagino que é essa a reação que eles causam. Pelo menos em uma garota que tem um celular cheio de fotos e músicas dele. Bebi o chá bem devagar, respirando fundo a cada gole.
Certo. Ele é só um jovem. Apena menino com uma grande fama por causa da sua voz maravilhosa, e porque eles tem uma amizade linda e um sorriso de criança, e em apenas alguns anos conquistou tanta coisa, e é tão jovem.
Mas é só um garoto. Se não fosse famoso eu nem saberia de sua existência. Então chega, deu de pânico, ele não poderia me causar nada se eu não deixar. Fechei os olhos e suspirei. Ok, vamos lá. Caminhei até a mesa onde John e Danni estavam ainda almoçando.
- Eles vêm que horas? - Perguntei casualmente
- Às dez e meia da noite. - Semicerrei os olhos, John esperou.
- Então por que avisam tão cado? - Falei tirando a panela vazia da sopa da mesa e caminhando até a cozinha - Se acham muito importantes essas pessoas,não? Já ligam cedo pra dizer "contenham as fãs, queremos o Barola fechado só pra gente" ha ha - Falei com deboche. Estou nervosa e é o único jeito de expressar isso no momento. Ouvi John rir.
- Até que enfim uma garçonete que não teve que beber um copo de água com açúcar pra se acalmar. É a primeira que reclama.
- É, pelo jeito ela não curte muito ele. - O Danni atreveu-se a dizer.
- Ela disse que gosta das músicas, mas isso não quer dizer que gosta de quem as canta.
Vi Toshiro entrar apressado pela porta da frente, e parou quando chegou onde John estava.
- Desculpe John, minha irmã não está muito bem.
- Sorte a sua que a Ana deu conta da tua parte.
- Vou agradecer, e coloque essa parte do meu salário no dela. Mas não vou poder ficar hoje, minha irmã está com virose, ficarei no hospital com ela.
- Toshiro, hoje virão o Luan e sua equipe, precisaria de você.
- Desculpe, posso compensar outro dia? - Sai da cozinha e fui até onde estavam.
- Eu me viro. Vai lá. - John me olhou, pigarrei e senti corar - Se o John liberta. - Ele riu.
- Se ele faz a sua parte, então vai lá. - O japonês veio até mim e me ergueu do chão num abraço bom. Desde que cheguei aqui, ninguém tinha me abraçado, sorri.
- Valeu Ana, te devo essa!
[...]
São dez e vinte e meu coração simplesmente está preste a sair pela boca.
John pendurou um aviso, dizendo que hoje só vamos trabalhar até as nove. Ou seja, os clientes que chegaram por último, já estão indo embora. Fechei a porta quando o último casal saiu e corri para o banheiro. Penteei os cabelos e os amarrei de volta num coque, com um elástico. Passei uma água no rosto e manteiga de cacau pra hidratas os lábios. Mais que isso não da pra fazer. Sentei numa cadeira, Danni sentou do meu lado.
- E aí, preparada pra receber os famosinhos? - Pela explícita ironia na fala dela percebi que não gostava do Luan e sua equipe.
- Pois é, é o meu trabalho.
John apareceu.
- Prontos? Sejam naturais e profissionais, não precisa dar recomendações não é? Ninguém aqui vai chorar ou gritar de emoção ao vê-los, então devo dizer que eles chegaram.
As persianas estavam todas fechadas. Quanto menos as pessoas do lado de fora pudessem ver, melhor. Conforme a van parou em frente ao restaurante, um aglomerado de meninas, gritos e soluços chegou junto. Vi Well descer e abrir a porta, então Luan desceu. As meninas começaram a gritar mais ainda, não sei como conseguiam. E meu coração começou a bater mais forte, meu estomago está dando voltar. Acho que vou vomitar.
John abriu a porta e gritou.
- Afastem-se meninas, afastem-se! Deixe-os passar!
Aos poucos o corredor foi aberto e eu corri para a cozinha. Sei que vou ficar incontrolável se não sair daqui antes que eles entrem. Esbarrei no Danni.
-Ai, desculpa! - Disse esbaforida
- Que foi, muita emoção?
- Nada disso, só não quero ver aquele amontoado de garotas atrás desses famosos. - Ele sorriu e eu engoli minha falsidade
- Isso aí garota, vamos recepcioná-los. É o nosso trabalho.
- Nada disso, nosso trabalho é anotar os pedidos e entregar.- Contra ataquei.
- O John gosta muito deles, vai ser melhor pra nós se formos.
Respirei fundo, alisei o uniforme. Eu to um lixo, mas de qualquer forma eles não vão me notar. Quem nota a garçonete?
Cheguei à parte principal do restaurante a ponto de vê-los parando para bater fotos e dar autógrafos. Haviam dezenas de mãos tentando tocá-los.
Eu quero abracá-los. Eu quero abraçá-los.Só o que consigo pensar é isso.
Então o pexola entrou, cumprimentando John como um velho amigo. Marla, Day, Marreta, Juliano e por último, Luan.
Ai meu Deus. Ai meu Deus Ana, respira.
John cumprimentou e fez um gesto com a mão pra mim er até lá. Ta brincando comigo, isso é sacanagem! Sorri sem mostrar os dentes, qualquer gesto que eles retribuíssem, pode resultar numa Ana agarrada no pescoço deles, gritando, chorando e tudo mais.
- Deixem-me apresentar nossa nova garçonete, Ana.
- Oi- Falei sem saber o que mais falar.
Day veio até mim e me deu um abraço leve, e que abraço! Não acredito que abracei a Day, não acredito!
- Seja bem vinda!
Falei um tímido "obrigada" foi a melhor coisa que consegui dizer.
Então Pexola veio falar comigo. Estou tentando conter o sorriso. Tentando me manter calma.
- Prazer, Pexola.
- O prazer é meu, Ana. - E recebi outro abraço. Meu Deus, como eles são educados!
Marreta e seus diferentes modos de cabelo. Arrumou o cabelo do jeito que só ele faz e sorriu.
- Sou a Marla! Estou feliz pelo Batola ter uma bela garota agora! - Me abraçou também. Que perfume delicioso!
- Me chamo Ana, e obrigada! - Meu estomago está mais calmo. Eles estão me deixando a vontade.
Marla e sua expressão brincalhona aproximou-se.
- Já recuperou o ar?
- Como? - Falei abrindo um sorriso finalmente
- A gente te abraçou, você devia estar sem ar. - Ela fez uma careta e olhou para o John apontando pra mim. - Qual o problema dessa garota? - Perguntou. Eu ri outra vez, junto a todas as pessoas que estavam ali.
- Ela não é fã de você. - John abriu os braços, erguendo-os como para o céu e sorrindo.- nõa é uma maravilha? A primeira garçonete que não surtou ao vê-los! - Todos riram outra vez e a Marla fez beicinho.
Mal sabem eles como eu estou. Se continuarem assim, me abraçando e tal, eu não me seguro por muito mais tempo.
- Então garota anormal, sou o Juliano. - Abri a boca para dizer "Não, você é o Arnaldo!" Mas se eu não fosse fã, não saberia da existência do Tio.
- E eu sou a Ana. - Outro abraço. Outro perfume delicioso. Outra falta de ar. Outro quase ataque cardíaco.
E por fim, Luan. De cabeça meio baixa, sério mesmo que ele é tímido? Ergue a cabeça e mordeu o lábio inferior. Engoli seco. Se segura Ana.
- Sou o Luan. - Falou me abraçando, prendi a respiração, se inalasse outro perfume delicioso, não seria outro quase ataque cardíaco. Seria um garota atirada no chão, desmaiada.
- Ana.- Falei.
Os seis me olhavam, olhei para o Danni e para o John pedindo ajuda. Não vou aguentar. Os dois entenderam meu olhar, aliás, não só os dois como todos os meninos, que sorriram.
- Nós não mordemos, Ana. - Disse Day.
- Só a Marla, às vezes. - Marreta soltou. E todos rimos.
- Certo, sentem-se meninos! E façam seus pedidos!- John disse e riu um pouco, dirigindo o olhar a mim, malicioso, e depois para eles - Querem ser atendidos por quem? - Eu não podia deixá-los escolher. Por mais que eu saiba que não escolheriam a mim, não podia deixar essa possibilidade entreaberta.
- O Danni vai atendê-los. Vou ajudar a Day. - E saí ligeira de lá, ouvindo-os rir. Entrei no banheiro e joguei água no pescoço e na nuca.
Eu vou ter que sobreviver a essa noite. Fica calma Ana, é só uma noite.
Oiiiiii! Desculpa por não ter capítulo ontem, acabou tendo um imprevisto, era pra eu ter postado mais cedo porém achei que tava pequeno, e pra recompensar o capítulo passado pequeno, aumentei ele. Bom é isso. Comentem e Divulguem!
domingo, 23 de novembro de 2014
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Capítulo 4
Abri os olhos assustada e olhei no relógio. Seis e meia da manhã. Por que diabos eu estou acordada há essa hora?
Liguei o aquecedor do quarto, sempre que eu acordo eu sinto mais frio que o normal. Peguei o meu notebook, conectando-o na tomada, e entrei no twitter, minha rede social mais usada.
- Mentions -
@Jeerigo: Já estou com saudades daquela vadia@AnaB
E só. Pois é meu twitter era muito pobre mesmo.
@AnaB: Também estou com saudades cadela! @Jeerigo
Respondi e fechei o notebook. Levantei e liguei o pequeno rádio que havia num canto do quarto, que fazia parte da mobília do apê. Coloquei um CD da One Direction que achei na minha mala e aumentei o volume o suficiente para me fazer esquecer de tudo. Tudo que não é muita coisa.
Fui até a cozinha, enchi a chaleira de água e pus para esquentar. Ia arriscar fazer um café, coisa que geralmente não saia bem. O solo do Niall em One Thing começou, e eu peguei a colher que estava na minha mão e corri até minha cama:
Now I'm climbing the walls, But you don't notice at all, That I'm going out of my mind, That I'm going out of my mind, All day and all night. - Eu cantava e pulava na minha cama ao ritmo da música.
Então a minha chaleira começou a apitar e eu sai correndo, desligando o fogão as pressas. Preparei minha experiência do que deveria ser o café, coloquei numa xícara, peguei um pacote de biscoitos e sentei junto á mesa da cozinha. Olhei pra aquele café desconfiada, arrisquei a beber um gole. Bom, podia estar pior. Estava forte e amargo. Comi um biscoito logo em seguida, pra amenizar o gosto. Durante o intervalo de uma música e outra, Stereo Hearts, começou a tocar. Corri até o criado mudo ao lado da cama e atendi o telefone.
- Oi negra! - Exclamei por ter visto o nome da Paola no visor.
- Oi bosta de elefante, tenho uma notícia!
- Fala!
- Os pais da Jess deixaram! - Exclamou animada - Eles deixaram!
- Ah! Sério?! - Exclamei de voltou muito feliz.
- Sim! Mas antes ela tem que ficar pro aniversário da tia dela, que é semana que vem, aí, eles vão dar dinheiro pra ela comprar a passagem. - Minha empolgação diminuiu
- Então vou ficar sem vocês mais umas duas semanas, cadela?
- Pois é. Mas pelo menos agora temos certeza de quem vamos pra aí também! - Ouvi a mãe da Paola gritando algo que não identifiquei - Negra, vou ter que desligar antes que a minha mãe desista da viagem! Te cuida - E desligou.
Em duas semanas, eu estaria na companhia das idiotas mais queridas que eu conheço, e em Londrina com com certeza não seria mais a mesma com nós três juntas.
[...]
- Ana, arruma aquela mesa dali pra mim querida? Eu vou ter que dar uma saída, minha irmã não tá muito bem. - Pediu o Toshiro, e eu assenti com a cabeça e ele tirou o avental as pressas, largando-o sobre o balcão e saiu correndo. John apareceu.
- Onde foi o Thoshiro?
- A irmã dele não está muito bem se não me engano. Pode deixar, faço a parte dele.- Amigos são para essas coisas, pensei. São onze da manhã e já vamos abrir, só estou limpando mais uma vez às mesas pra garantir que não tem ketchup ou mostarda. Apesar do nosso prato principal ser o frango picante com vários acompanhantes e as bebidas sem álcool, sempre tinha quem queria uma coisa a mais, sei lá, com ketchup.
Acabei de limpar me sentando em uma cadeira perto da janela. Logo os fregueses irão chegar. Mas já estou acostumando com essa rotina. Sorrir, ser educada, simpática, anotar bem os pedidos, essas coisas.
Toda vez que eu vejo no cardápio, nosso prato principal, lembro do Luan. Afinal pizza de peixe é um dos pratos favoritos dele, será que quando ele vem aqui, ele pede o prato principal? Acho provável, mas não sei. Não estou tendo muito tempo para pensar no Luan, apesar de ouvir música dele todos os dias, ou vindo pra cá ou voltando para casa, minha cabeça não se concentra mais na letra. Minha vida em Londrina está um pouco agitada. Tenho feito cursinhos pela internet, aulas grátis, pra tentar manter tudo na memória e me aprimorar, porque pra conseguir uma bolsa de estudos aqui, não vai ser fácil.
- Ana, vista o avental, vamos abrir. - Sempre pontuais, Jhon me chamou um minuto antes do relógio marcar 11h30min. O vesti e aguardei. Aos poucos, pessoas famintas pelo cansaço de uma manhã inteira de trabalho entravam e atiravam-se nas cadeiras. Comecei a atender. Estou eu e mais um colega que não fala muito atendendo às mesas. Hoje estamos com bastante movimento, quase não damos conta. Acho que John gosta do meu trabalho, pois o vejo me observando atender com um breve sorriso.
Depois de algumas horas caminhando pelo restaurante, anotando pedidos, buscando a comida, entregando, limpando mesas já vazias para clientes que chegavam e esperava um lugar vago, enfim, fui ao banheiro dar uma olhada no meu estado. Cabelos meio desgranhados, e uma gota de suor na minha testa. Pra quem não era acostumado a exercícios físicos, caminhar de um lado pro outro não é algo fácil. Puxei o cabelo outra vez e amarrei um eslático, voltando ao batente, já que não podia deixar o Danni, meu colega antissocial trabalhando sozinho naquele movimento. Hoje o restaurante ia rendar um bom dinheiro. As três e quarenta foi que o último cliente saiu. Fechamos a porta de vidro, mantendo a placa 'Aberto', e começamos a limpar tudo. O chão com migalhas, as mesas com molho, tiramos as louças e levamos tudo para a cozinha. Onde Mary, a cozinheira, lavava a inúmera quantidade de pratos às pressas, parecia estar cansada, então me ofereci para ajudá-la. Terminamos as cinco, me faria um bem danado agora. Engoli devagar minha sopa quentinha que pedi a Mary para fazer, pois minha garganta doía, e John está no telefone. Colocou- o no gancho e veio até nós, eu e Danni estávamos com a aparência péssima.
- Hoje é um dia daqueles! - Exclamou sentando-se à mesa onde estávamos e bebendo um copo d'água. Respirou fundo e me olhou. - Preparem os corpos e tomem café preto, hoje o Luan e sua equipe vem pra cá, e eles costumam não ir embora cedo.
Notas da autora:
Liguei o aquecedor do quarto, sempre que eu acordo eu sinto mais frio que o normal. Peguei o meu notebook, conectando-o na tomada, e entrei no twitter, minha rede social mais usada.
- Mentions -
@Jeerigo: Já estou com saudades daquela vadia
@AnaB: Também estou com saudades cadela! @Jeerigo
Respondi e fechei o notebook. Levantei e liguei o pequeno rádio que havia num canto do quarto, que fazia parte da mobília do apê. Coloquei um CD da One Direction que achei na minha mala e aumentei o volume o suficiente para me fazer esquecer de tudo. Tudo que não é muita coisa.
Fui até a cozinha, enchi a chaleira de água e pus para esquentar. Ia arriscar fazer um café, coisa que geralmente não saia bem. O solo do Niall em One Thing começou, e eu peguei a colher que estava na minha mão e corri até minha cama:
Now I'm climbing the walls, But you don't notice at all, That I'm going out of my mind, That I'm going out of my mind, All day and all night. - Eu cantava e pulava na minha cama ao ritmo da música.
Então a minha chaleira começou a apitar e eu sai correndo, desligando o fogão as pressas. Preparei minha experiência do que deveria ser o café, coloquei numa xícara, peguei um pacote de biscoitos e sentei junto á mesa da cozinha. Olhei pra aquele café desconfiada, arrisquei a beber um gole. Bom, podia estar pior. Estava forte e amargo. Comi um biscoito logo em seguida, pra amenizar o gosto. Durante o intervalo de uma música e outra, Stereo Hearts, começou a tocar. Corri até o criado mudo ao lado da cama e atendi o telefone.
- Oi negra! - Exclamei por ter visto o nome da Paola no visor.
- Oi bosta de elefante, tenho uma notícia!
- Fala!
- Os pais da Jess deixaram! - Exclamou animada - Eles deixaram!
- Ah! Sério?! - Exclamei de voltou muito feliz.
- Sim! Mas antes ela tem que ficar pro aniversário da tia dela, que é semana que vem, aí, eles vão dar dinheiro pra ela comprar a passagem. - Minha empolgação diminuiu
- Então vou ficar sem vocês mais umas duas semanas, cadela?
- Pois é. Mas pelo menos agora temos certeza de quem vamos pra aí também! - Ouvi a mãe da Paola gritando algo que não identifiquei - Negra, vou ter que desligar antes que a minha mãe desista da viagem! Te cuida - E desligou.
Em duas semanas, eu estaria na companhia das idiotas mais queridas que eu conheço, e em Londrina com com certeza não seria mais a mesma com nós três juntas.
[...]
- Ana, arruma aquela mesa dali pra mim querida? Eu vou ter que dar uma saída, minha irmã não tá muito bem. - Pediu o Toshiro, e eu assenti com a cabeça e ele tirou o avental as pressas, largando-o sobre o balcão e saiu correndo. John apareceu.
- Onde foi o Thoshiro?
- A irmã dele não está muito bem se não me engano. Pode deixar, faço a parte dele.- Amigos são para essas coisas, pensei. São onze da manhã e já vamos abrir, só estou limpando mais uma vez às mesas pra garantir que não tem ketchup ou mostarda. Apesar do nosso prato principal ser o frango picante com vários acompanhantes e as bebidas sem álcool, sempre tinha quem queria uma coisa a mais, sei lá, com ketchup.
Acabei de limpar me sentando em uma cadeira perto da janela. Logo os fregueses irão chegar. Mas já estou acostumando com essa rotina. Sorrir, ser educada, simpática, anotar bem os pedidos, essas coisas.
Toda vez que eu vejo no cardápio, nosso prato principal, lembro do Luan. Afinal pizza de peixe é um dos pratos favoritos dele, será que quando ele vem aqui, ele pede o prato principal? Acho provável, mas não sei. Não estou tendo muito tempo para pensar no Luan, apesar de ouvir música dele todos os dias, ou vindo pra cá ou voltando para casa, minha cabeça não se concentra mais na letra. Minha vida em Londrina está um pouco agitada. Tenho feito cursinhos pela internet, aulas grátis, pra tentar manter tudo na memória e me aprimorar, porque pra conseguir uma bolsa de estudos aqui, não vai ser fácil.
- Ana, vista o avental, vamos abrir. - Sempre pontuais, Jhon me chamou um minuto antes do relógio marcar 11h30min. O vesti e aguardei. Aos poucos, pessoas famintas pelo cansaço de uma manhã inteira de trabalho entravam e atiravam-se nas cadeiras. Comecei a atender. Estou eu e mais um colega que não fala muito atendendo às mesas. Hoje estamos com bastante movimento, quase não damos conta. Acho que John gosta do meu trabalho, pois o vejo me observando atender com um breve sorriso.
Depois de algumas horas caminhando pelo restaurante, anotando pedidos, buscando a comida, entregando, limpando mesas já vazias para clientes que chegavam e esperava um lugar vago, enfim, fui ao banheiro dar uma olhada no meu estado. Cabelos meio desgranhados, e uma gota de suor na minha testa. Pra quem não era acostumado a exercícios físicos, caminhar de um lado pro outro não é algo fácil. Puxei o cabelo outra vez e amarrei um eslático, voltando ao batente, já que não podia deixar o Danni, meu colega antissocial trabalhando sozinho naquele movimento. Hoje o restaurante ia rendar um bom dinheiro. As três e quarenta foi que o último cliente saiu. Fechamos a porta de vidro, mantendo a placa 'Aberto', e começamos a limpar tudo. O chão com migalhas, as mesas com molho, tiramos as louças e levamos tudo para a cozinha. Onde Mary, a cozinheira, lavava a inúmera quantidade de pratos às pressas, parecia estar cansada, então me ofereci para ajudá-la. Terminamos as cinco, me faria um bem danado agora. Engoli devagar minha sopa quentinha que pedi a Mary para fazer, pois minha garganta doía, e John está no telefone. Colocou- o no gancho e veio até nós, eu e Danni estávamos com a aparência péssima.
- Hoje é um dia daqueles! - Exclamou sentando-se à mesa onde estávamos e bebendo um copo d'água. Respirou fundo e me olhou. - Preparem os corpos e tomem café preto, hoje o Luan e sua equipe vem pra cá, e eles costumam não ir embora cedo.
Notas da autora:
- Bem, quero avisar que os capítulos serão um dia sim outro não, eu não iria postar hoje porque tá acontecendo algumas coisas na minha mas mas decidi postar, sei que estar menor que o normal mas foi o máximo que eu consegui escrever.
- Bem quanto ao restaurante vamos observar dois pontos:
- Eu falei ao fim do capítulo que não me recordava, então decidi colocar esse
- E outra, isso é uma fanfic, não tem que ser igual a vida real, então 'desencanem'
- Outra coisa importante, tentarei postar um dia sim e outro não, porém isso será só enquanto estou de férias, porque depois, vou tentar postar sempre que puder mas não vai rolar todos os dias.
- Nos comentários se identifiquem.
- Comentem e divulguem!
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Capítulo 3
- Luan para com isso, aqui não - Falei enquanto ele roçava o nariz em meu pescoço, fechei os olhos e suspirei, eu queria levar aquilo adiante mas no camarim simplesmente não dava, me desvencilhei de suas mãos e o afastei - Luan, por favor não me provoque mais ou eu vou perder o bom senso que ainda me resta.- Ele sorriu malandro e avançou outra vez, beijando o topo do meu ombro, e ia descendo os beijos apressados - Ok Luan, você venceu! - Tranquei a porta em meio as provocações dele.
From the moment, i met you everything changed i knew i had to get you whatever the pain i had to take you and make you mine
O despertador está tocando. Abri os olhos assustada. Estava suada e meus cabelos grudavam na testa.
- De novo Ana? Eu não acredito! Eu nem sou fã desse cara e vivo sonhando com ele! - Disse para mim mesmo
Levantei irritada comigo mesmo e fui para o banheiro.Abri o chuveiro e tirei todas aquelas roupas suadas, a água fria caindo por cada parte do meu corpo vai me acalmar. Fechei os olhos e fiquei ali, alguns minutos sentindo a água fria, quando eu tinha esse tipo de sonho, e olha que esse nem foi tão ruim, só a água fria me acalma. Uma por causa dos meus hormônios, outra pela minha irritação. Já está na hora de crescer e parar com esse sonhos loucos Ana. Vocês nem se conhecem e nunca terão nada!
Vesti um short, uma camiseta do Mickey e chinelos. Já estava mais calma. Eu e meus hormônios, mesmo assim enchi um copo de água e bebi, dando três tapinhas em meu rosto.
- Acho que agora já chega. Você está em Londrina, Ana! Pare de sonhar com ele.
Fiz um sanduíche e fui à sala, sentando no sofá e ligando a TV. Pensei no que fazer durante o dia e a primeira coisa que me veio a cabeça foi procurar um emprego. Minha avó iria pagar o aluguel do apartamento, mas eu ia ter que me virar com o resto. Tenho um pouco de dinheiro, mas não acredito que dê para muitos dias. Terminei de comer e fui me trocar. Vesti uma calça, camisaásica, uma jaqueta preta. Coloquei uma touca e nos pês meias quentes com meu tênis favorito. Afinal, lá fora eu não iria encontrar um aquecedor como que tinha no apartamento. Estava com saudade do calor da Bahia.
Peguei meu celular e meus fones de ouvido. Seria difícil conseguir um emprego, eu não tinha muita experiência em quase nada. Trabalhara apenas um ano e como garçonete. Minha intenção era vir estudar, mas antes ia guardar dinheiro enquanto tentava uma bolsa de estudos, pelo menos na escola eu sempre tirava notas ótimas. A melhor da classe. Aliás, foi a única coisa na qual eu sobressai a minha vida inteira.
[...]
Entrei em várias lanchonetes aleatórias. Quando eu via uma, entrava. Mas só uma delas precisava de garçonete, sendo que iria trabalhar no domingo e como eu sou preguiçosa e se fosse começar a estudar, teria que ter um tempinho livre, não dava. Andei mais um pouco e entrei em um restaurante/lanchonete sei lá o que era. Estou apressada demais para ler. Pedi uma garrafa d'água e esperei sentada em uma mesa perto da janela. Adoro ver o movimento de Londrina. O garçom me trouxe água, agradeci e paguei, quase me esquecendo de perguntar.
- Por um acaso, conhece lugar onde precisam de garçonete?
O garçom que tinha traços de japonês/chinês, não identifico muito bem as diferenças, e sorriu, apontando para um papel grudado no vidro.
'Admita- se garçom'
Ai como eu sou tosca! Será que eu não era capaz de olhar ao redor antes de fazer perguntas? Sorri sem graça.
- Desculpe, entrei depressa e não vi.
- Fale com o gerente, gostaria de uma bela colega de trabalho. - Eu sorri agradecendo tanto pela informação, quanto pelo elogio. Como as pessoas aqui são simpáticas, e educadas. Bebi minha água e dirigi-me ao gerente.
- Olá, vocês tão precisando de garçom, serve garçonete?
O homem com uma barriga avantajada, rosto gordinho e pouca barba riu.
- Claro, venha aqui na minha sala, é melhor. - Disse ao ver um grupo de dez meninas entrarem fazendo barulho e rindo alto. Assenti e fui atrás, então vi, embaixo do tampo de vidro da mesa, esculpido em madeira.
Barolo Trattoria
- Espera, aqui é o Barolo? - Perguntei meio histérica, mas retornando ao meu tom de voz normal ao ver a expressão do gerente. Pigarreei - Quer dizer,é a primeira vez que venho aqui! Cheguei em Londrina ontem! - Menti. Eu não estou empolgada com isso, tá, em partes por isso também. Mas cara, é o Barolo Trattoria! Restaurante preferido do Luan!
O senhor riu.
- Certo...?
- Ana.
- Ana, sente-se. - Eu sentei sorridente, tentando me conter para não parecer uma adolescente de quatorze anos histérica - Me chamo John, e como já deve saber, sou gerente do Barolo. - Continuei assentindo - Quantos anos tem?
- Dezoito, senhor.
- Se vamos trabalhar juntos, quero que me chame de John.
- Certo, John.
- Tem alguma experiência.
- Trabalhei um ano como garçonete. E a minha única experiência. - Falei rindo de nervoso.
- Ok, tenho uma ótima pergunta. Não é conveniente perguntar, mas procure me entender, como estamos no Barolo, é necessário que perguntemos, por conta de algumas coisas que você já vai entender, ou talvez já saiba.
- Pode perguntar. - Afirmei. Mas não fazia ideia de qual seria a pergunta, e isso estava me deixando aflita.
- Você é fã do Luan Santana? - Engasguei com saliva logo que ele terminou a pergunta.Ele arregalou os olhos, espantado abriu a garrafa d'água, despejando um pouco num copo que estava ali e me entregando, bebi tudo.
- Você está bem?
- Sim, obrigada! - Respirei calmamente e voltei os olhos nele - Bom, eu gosto muito das músicas dele, mas não sei se chega a ser considerado fã.
Ele me olhou com desconfiança
- Bem, é que não podemos ter uma garçonete louca por ele , já que é o restaurante preferido do Luan. Temos que ter um profissional que se contenha com a presença dele. E não uma fã histérica, pulando, gritando e chorando ao vê-lo. Se é que você me entende.
NA PRESENÇA DELE??? Parei de ouvir o que ele dizia após essa frase. Quer dizer que ele vem aqui? Como é que eles estavam sem garçonete se ele vem aqui? Que garota não gostaria de trabalhar aqui?
- E-entendo claro! - Gaguejei um pouco - Mas nesse ponto posso garantir que não irei gritar, pular e chorar caso ele venha aqui.
- Ele costuma vim aqui uma vez por mês, as vezes a equipe ou os pais dele vem o acompanhar, quando podem. São pessoas muito simpáticas, mas causam um furor que só vendo! Praticamente temos que fechar para eles, por isso costumam vim no fim da noite, quase na hora de fechar. Então quando vierem, terás que ficar até mais tarde. Se puder, claro.
- Sem problemas - Afirmei ligeira - Mas tenho uma curiosidade: Sabendo que ele e acompanhantes vem pra cá, como ficou sem garçonete?
Outra vez ele riu.
- Não foi por falta de candidatas. Logo que penduramos o anúncio de que estávamos admitindo, tivemos filas de virar a esquina para o emprego. Mas era só falar o nome dele , e explicar que ele viria aqui pelo menos uma vez no mês que elas começavam a gritar, chorar, pular, e duas até desmaiaram. Não posso trabalhar com alguém que desmaia só em ouvir o nome do garoto que terá que atender.
Mal sabia ele que eu provavelmente sou uma delas. Não que eu vá desmaiar, nem chorar, mas pular e gritar são duas reações quase automáticas. Eu acho, não sei, nunca o vi pessoalmente.
- Então, acho que não tenho motivos para não admiti-la! - Exclamou ele levantando-se e estendendo a mão para mim. a apertei sorridente, meu coração batia de um jeito que eu não sabia explicar. Dentro de mim estava pulando. John também sorria, acho que gostara de mim. - Você começa amanhã mocinha, das onze e meia às vinte e três horas, nas sextas e sábados trabalhamos até a meia noite, e me traga sua carteira para que eu possa assinar, assim você terá todos os direitos legais.
- Muito obrigada.
Caminhei até a porta da sala e saía quando fui interrompida.
- Ah, e antes que eu me esqueça! - Exclamou o senhor, me virei ainda sorrindo. - Bem vinda ao Barolo Tratollia. A porta da sua felicidade, o seu mapa do tesouro!
Na verdade ele só falou "Bem vinda ao Barolo Tratollia". Mas o meu coração me fez ouvir estrelinhas escondidas naquela frase.
O primeiro passo estava dado. Eu tinha um emprego em Londrina, e por mais que fosse bem mais que um simples emprego, eu não podia esquecer que John não poderia saber que eu sou quase igual a todas aquelas meninas que ele chamou de 'histéricas', e que eu tenho que admitir, na maioria das vezes somos.
Saí de lá, e parei em frente a tudo aquilo, observando a grande placa que anunciava o nome do restaurante e que eu não vira, dizendo em voz alta.
- Bem vinda ao Barolo Tratollia, Ana!
Nota da escritora:
From the moment, i met you everything changed i knew i had to get you whatever the pain i had to take you and make you mine
O despertador está tocando. Abri os olhos assustada. Estava suada e meus cabelos grudavam na testa.
- De novo Ana? Eu não acredito! Eu nem sou fã desse cara e vivo sonhando com ele! - Disse para mim mesmo
Levantei irritada comigo mesmo e fui para o banheiro.Abri o chuveiro e tirei todas aquelas roupas suadas, a água fria caindo por cada parte do meu corpo vai me acalmar. Fechei os olhos e fiquei ali, alguns minutos sentindo a água fria, quando eu tinha esse tipo de sonho, e olha que esse nem foi tão ruim, só a água fria me acalma. Uma por causa dos meus hormônios, outra pela minha irritação. Já está na hora de crescer e parar com esse sonhos loucos Ana. Vocês nem se conhecem e nunca terão nada!
Vesti um short, uma camiseta do Mickey e chinelos. Já estava mais calma. Eu e meus hormônios, mesmo assim enchi um copo de água e bebi, dando três tapinhas em meu rosto.
- Acho que agora já chega. Você está em Londrina, Ana! Pare de sonhar com ele.
Fiz um sanduíche e fui à sala, sentando no sofá e ligando a TV. Pensei no que fazer durante o dia e a primeira coisa que me veio a cabeça foi procurar um emprego. Minha avó iria pagar o aluguel do apartamento, mas eu ia ter que me virar com o resto. Tenho um pouco de dinheiro, mas não acredito que dê para muitos dias. Terminei de comer e fui me trocar. Vesti uma calça, camisaásica, uma jaqueta preta. Coloquei uma touca e nos pês meias quentes com meu tênis favorito. Afinal, lá fora eu não iria encontrar um aquecedor como que tinha no apartamento. Estava com saudade do calor da Bahia.
Peguei meu celular e meus fones de ouvido. Seria difícil conseguir um emprego, eu não tinha muita experiência em quase nada. Trabalhara apenas um ano e como garçonete. Minha intenção era vir estudar, mas antes ia guardar dinheiro enquanto tentava uma bolsa de estudos, pelo menos na escola eu sempre tirava notas ótimas. A melhor da classe. Aliás, foi a única coisa na qual eu sobressai a minha vida inteira.
[...]
Entrei em várias lanchonetes aleatórias. Quando eu via uma, entrava. Mas só uma delas precisava de garçonete, sendo que iria trabalhar no domingo e como eu sou preguiçosa e se fosse começar a estudar, teria que ter um tempinho livre, não dava. Andei mais um pouco e entrei em um restaurante/lanchonete sei lá o que era. Estou apressada demais para ler. Pedi uma garrafa d'água e esperei sentada em uma mesa perto da janela. Adoro ver o movimento de Londrina. O garçom me trouxe água, agradeci e paguei, quase me esquecendo de perguntar.
- Por um acaso, conhece lugar onde precisam de garçonete?
O garçom que tinha traços de japonês/chinês, não identifico muito bem as diferenças, e sorriu, apontando para um papel grudado no vidro.
'Admita- se garçom'
Ai como eu sou tosca! Será que eu não era capaz de olhar ao redor antes de fazer perguntas? Sorri sem graça.
- Desculpe, entrei depressa e não vi.
- Fale com o gerente, gostaria de uma bela colega de trabalho. - Eu sorri agradecendo tanto pela informação, quanto pelo elogio. Como as pessoas aqui são simpáticas, e educadas. Bebi minha água e dirigi-me ao gerente.
- Olá, vocês tão precisando de garçom, serve garçonete?
O homem com uma barriga avantajada, rosto gordinho e pouca barba riu.
- Claro, venha aqui na minha sala, é melhor. - Disse ao ver um grupo de dez meninas entrarem fazendo barulho e rindo alto. Assenti e fui atrás, então vi, embaixo do tampo de vidro da mesa, esculpido em madeira.
Barolo Trattoria
- Espera, aqui é o Barolo? - Perguntei meio histérica, mas retornando ao meu tom de voz normal ao ver a expressão do gerente. Pigarreei - Quer dizer,é a primeira vez que venho aqui! Cheguei em Londrina ontem! - Menti. Eu não estou empolgada com isso, tá, em partes por isso também. Mas cara, é o Barolo Trattoria! Restaurante preferido do Luan!
O senhor riu.
- Certo...?
- Ana.
- Ana, sente-se. - Eu sentei sorridente, tentando me conter para não parecer uma adolescente de quatorze anos histérica - Me chamo John, e como já deve saber, sou gerente do Barolo. - Continuei assentindo - Quantos anos tem?
- Dezoito, senhor.
- Se vamos trabalhar juntos, quero que me chame de John.
- Certo, John.
- Tem alguma experiência.
- Trabalhei um ano como garçonete. E a minha única experiência. - Falei rindo de nervoso.
- Ok, tenho uma ótima pergunta. Não é conveniente perguntar, mas procure me entender, como estamos no Barolo, é necessário que perguntemos, por conta de algumas coisas que você já vai entender, ou talvez já saiba.
- Pode perguntar. - Afirmei. Mas não fazia ideia de qual seria a pergunta, e isso estava me deixando aflita.
- Você é fã do Luan Santana? - Engasguei com saliva logo que ele terminou a pergunta.Ele arregalou os olhos, espantado abriu a garrafa d'água, despejando um pouco num copo que estava ali e me entregando, bebi tudo.
- Você está bem?
- Sim, obrigada! - Respirei calmamente e voltei os olhos nele - Bom, eu gosto muito das músicas dele, mas não sei se chega a ser considerado fã.
Ele me olhou com desconfiança
- Bem, é que não podemos ter uma garçonete louca por ele , já que é o restaurante preferido do Luan. Temos que ter um profissional que se contenha com a presença dele. E não uma fã histérica, pulando, gritando e chorando ao vê-lo. Se é que você me entende.
NA PRESENÇA DELE??? Parei de ouvir o que ele dizia após essa frase. Quer dizer que ele vem aqui? Como é que eles estavam sem garçonete se ele vem aqui? Que garota não gostaria de trabalhar aqui?
- E-entendo claro! - Gaguejei um pouco - Mas nesse ponto posso garantir que não irei gritar, pular e chorar caso ele venha aqui.
- Ele costuma vim aqui uma vez por mês, as vezes a equipe ou os pais dele vem o acompanhar, quando podem. São pessoas muito simpáticas, mas causam um furor que só vendo! Praticamente temos que fechar para eles, por isso costumam vim no fim da noite, quase na hora de fechar. Então quando vierem, terás que ficar até mais tarde. Se puder, claro.
- Sem problemas - Afirmei ligeira - Mas tenho uma curiosidade: Sabendo que ele e acompanhantes vem pra cá, como ficou sem garçonete?
Outra vez ele riu.
- Não foi por falta de candidatas. Logo que penduramos o anúncio de que estávamos admitindo, tivemos filas de virar a esquina para o emprego. Mas era só falar o nome dele , e explicar que ele viria aqui pelo menos uma vez no mês que elas começavam a gritar, chorar, pular, e duas até desmaiaram. Não posso trabalhar com alguém que desmaia só em ouvir o nome do garoto que terá que atender.
Mal sabia ele que eu provavelmente sou uma delas. Não que eu vá desmaiar, nem chorar, mas pular e gritar são duas reações quase automáticas. Eu acho, não sei, nunca o vi pessoalmente.
- Então, acho que não tenho motivos para não admiti-la! - Exclamou ele levantando-se e estendendo a mão para mim. a apertei sorridente, meu coração batia de um jeito que eu não sabia explicar. Dentro de mim estava pulando. John também sorria, acho que gostara de mim. - Você começa amanhã mocinha, das onze e meia às vinte e três horas, nas sextas e sábados trabalhamos até a meia noite, e me traga sua carteira para que eu possa assinar, assim você terá todos os direitos legais.
- Muito obrigada.
Caminhei até a porta da sala e saía quando fui interrompida.
- Ah, e antes que eu me esqueça! - Exclamou o senhor, me virei ainda sorrindo. - Bem vinda ao Barolo Tratollia. A porta da sua felicidade, o seu mapa do tesouro!
Na verdade ele só falou "Bem vinda ao Barolo Tratollia". Mas o meu coração me fez ouvir estrelinhas escondidas naquela frase.
O primeiro passo estava dado. Eu tinha um emprego em Londrina, e por mais que fosse bem mais que um simples emprego, eu não podia esquecer que John não poderia saber que eu sou quase igual a todas aquelas meninas que ele chamou de 'histéricas', e que eu tenho que admitir, na maioria das vezes somos.
Saí de lá, e parei em frente a tudo aquilo, observando a grande placa que anunciava o nome do restaurante e que eu não vira, dizendo em voz alta.
- Bem vinda ao Barolo Tratollia, Ana!
Nota da escritora:
- Bem, mais uma vez quero agradecer pelos comentários e pedir que divulguem!
- E quero dizer que não sei se realmente o restaurante preferido do Luan em Londrina era esse, mas pelo fato de ele não ter relatado em nenhuma entrevista - que eu me recorde - eu procurei por alguns e resolvi colocar esse, que dizem ser ótimo.
- Comentem!
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Capítulo 2
Subi as escadas correndo , já que não havia elevador pelo prédio ter somente cinco andares. Eu venho pesquisando o melhor bairro para se morar em Londrina - apesar de não acreditar que possa haver algum bairro ruim de morar aqui - desde meus dez anos e pela coincidência do destino ou sei lá o que, minha avó conseguiu um apê nesse bairro e aqui estou eu!
Abri as portas aos pulos e entrei correndo no modesto, porém aconchegante apartamento! Nesses meus dezoito anos, eu devo ter feito algo muito bom pra merecer estar aqui realizando meu sonho! Tinha uma pequena cozinha, e o cômodo mais grande era a sala, onde havia um sofá-cama, No único quarto, tinha uma cama de casal e um pequeno banheiro entre ele e a lavanderia. Estava quase perfeito, a única coisa que faltava era minhas coisas.
Eu tinha três malas. Uma com roupas, outra com sapatos e a última com as minhas coisas preferidas, que eu simplesmente não podia deixar na Bahia.
Fui ao quarto e coloquei a roupa de cama que minha dinda comprou de presente para estar sempre comigo, todas as noites. E ajeitei Harry, meu gato de pelúcia sobre a cama. Guardei os sapatos, tocas, casacos, luvas e mantas que trouxera comigo. Então peguei minha pasta com fotos e lembranças. Encontrei quatro porta-retratos vazios na parede. Em um deles, pus a foto de minha família. No outro, uma foto minha com meus avós paternos, os únicos que conheci. No outro, uma foto minha com a turma do ensino médio, eu sabia que ali encontraria rostos amigos e acolhedores. Como as minhas duas melhores amigas: Jéssica e Paola. E no último, coloquei uma foto minha, uma das minhas preferidas. Coloquei-os de volta na parede e peguei na mala uma moldura com uma réplica do meu diploma escolar, colocando junto a eles. Pendurei-os nas paredes do meu quarto, já que eram muito vazias. Levei minha escova de dentes e de cabelo para o banheiro, e coloquei minha toalha de banho com meu nome bordado, presente da minha mãe, no porta-toalhas. Pronto, o apartamento já estava com outro toque. Tinha um pouco de mim lá agora e eu podia sentir-me ainda mais em casa. Sorri satisfeita e meu estômago roncou. Lembrei que não comia há horas. Liguei meu celular no carregador e peguei dinheiro, assim enquanto eu comprava algo para comer, ele ia carregando pra quando eu voltar poder ligar para minha mãe.
Passei na frente do espelho antes de sair. Meu Deus! Não que eu fosse ficar muito melhor, mas realmente estava com uma cara péssima. Cara de ressaca. Deve ser efeito da viagem, sei lá. Penteei os cabelos e sai. Melhor que aquilo não ia ficar.
Desci saltitante as escadas e cumprimentei o simpático porteiro. Caminhei algumas quadras e encontrei um mercado, não que eu não fosse muito boa na cozinha, mas tinha que comprar algo para me prevenir caso a fomo batesse no meio da noite. Tentei comprar coisas saudáveis para no fim do mês eu não estar um boto, mas sério não deu. Comprei várias guloseimas e gastei um bom dinheiro com porcarias, como diria minha mãe. Minha sorte é que ela não vai ver nada disso. Enquanto voltava, parei em uma lanchonete e pedi um Milk-Shake duplo, sentando em uma mesa perto da janela, e tomei-o enquanto observava o movimento da cidade.
[...]
Abri a porta e ouvi o toque do meu celular. Corri até a cozinha e atendi.
- Oi mãe!
- Ana! Está tudo bem? - Perguntou minha mãe aflita
- Tá sim mãe, é que fiquei sem bateria e não teve como ligar antes - Expliquei
- Como é ai filha? É tudo como você imaginava?
- Ainda não tive oportunidade de visitar os pontos turísticos que tenho listados, mas é muito bom estar aqui, e o apartamento é lindo, as pessoas são muito simpáticas e...
- Oi filha! - Exclamou meu pai - Como foi a chegada?
- Ah, eu ia me esquecendo desse detalhe! Acredita que dormi enquanto pousávamos em Londrina? Meu Deus, será que eu não podia estar acordada em um bom momento uma vez na vida? - Perguntei rindo e ele fez o mesmo
- Só você Ana! Olha filha, vamos desligar, a ligação não está muito barata e eu vou ter que vender um fígado se sua mãe continuar assim. Tenha uma boa semana, nos falamos por mensagens, nós te amamos pequena!
- Também amo vocês pai! - Exclamei ouvindo-o desligar.
Era bem coisa do meu pai contar os centavos pro minuto. Certo, minha vez de ligar para as meninas. Prometi a Jéssica e a Paola que ligaria assim que chegasse, eu queria muito tê-las trazido junto, mas os pais da Jéssica não permitiram. Ela ainda estava tentando convencê-los, porque afinal antes tarde do que nunca! Procurei na agenda do meu celular.
* Paola Cremosa * ~Ligar~
Ouvi risadas quando atendeu, e eu conhecia aquela risada, a Jess estava junto!
- Cacete Ana, pensei que não ia ligar nunca! Eu e a Jess estávamos calculando o preço por minuto pra ver se dava pra te ligar! - Eu ri e elas também
- Oiiii Aninha! - Exclamou a Jess ao fundo - Como é que vai?
- Porra Jéssica, me deixa falar! - Reclamou Paola - Como é que vai Anoca? É como a gente espera?
- É magnífico! Ainda não tive tempo de visitar os pontos turísticos, mas é tão aconchegante! Me sinto finalmente no lugar certo!
- Vadia, eu devia estar ai com você!
- E eu também! - Lembrou Jess - To tentando convencer meus pais, mas tá meio difícil.
- Cara vocês tem que vim pra cá logo! Nós três juntas vai ser tão legal!
- E você pensa que eu não sei?
- Olha meninas,vou desligar, essa ligação não deve tá custando muito barato, mas depois nos falamos pelo twitter, até mais!
- Até Aninha! - Ouvi a Paola dizer enquanto a Jess ria
Guardei as compras, e cortei a pizza que havia comprado em quatro pedaços, coloquei no micro-ondas, liguei meu notebook, abri o twitter e olhei as mentions. Como esperado, nada fora do normal. Exceto as minhas amigas adoráveis.
@Jeerigo: A essas horas a Anoca já tá em Londrina. Cadela!
@PaolaRigo1: HAHAHA nos aguarde, logo, logo vamos estar aí para te encher o saco!
Isso e mais nada. Afinal, por que haveria alguma coisa? Não sou celebridade ou algo do tipo.
Notas da Escritora:
Obrigado pelos comentários! Divulguem a fic se puder! Beijos!
Abri as portas aos pulos e entrei correndo no modesto, porém aconchegante apartamento! Nesses meus dezoito anos, eu devo ter feito algo muito bom pra merecer estar aqui realizando meu sonho! Tinha uma pequena cozinha, e o cômodo mais grande era a sala, onde havia um sofá-cama, No único quarto, tinha uma cama de casal e um pequeno banheiro entre ele e a lavanderia. Estava quase perfeito, a única coisa que faltava era minhas coisas.
Eu tinha três malas. Uma com roupas, outra com sapatos e a última com as minhas coisas preferidas, que eu simplesmente não podia deixar na Bahia.
Fui ao quarto e coloquei a roupa de cama que minha dinda comprou de presente para estar sempre comigo, todas as noites. E ajeitei Harry, meu gato de pelúcia sobre a cama. Guardei os sapatos, tocas, casacos, luvas e mantas que trouxera comigo. Então peguei minha pasta com fotos e lembranças. Encontrei quatro porta-retratos vazios na parede. Em um deles, pus a foto de minha família. No outro, uma foto minha com meus avós paternos, os únicos que conheci. No outro, uma foto minha com a turma do ensino médio, eu sabia que ali encontraria rostos amigos e acolhedores. Como as minhas duas melhores amigas: Jéssica e Paola. E no último, coloquei uma foto minha, uma das minhas preferidas. Coloquei-os de volta na parede e peguei na mala uma moldura com uma réplica do meu diploma escolar, colocando junto a eles. Pendurei-os nas paredes do meu quarto, já que eram muito vazias. Levei minha escova de dentes e de cabelo para o banheiro, e coloquei minha toalha de banho com meu nome bordado, presente da minha mãe, no porta-toalhas. Pronto, o apartamento já estava com outro toque. Tinha um pouco de mim lá agora e eu podia sentir-me ainda mais em casa. Sorri satisfeita e meu estômago roncou. Lembrei que não comia há horas. Liguei meu celular no carregador e peguei dinheiro, assim enquanto eu comprava algo para comer, ele ia carregando pra quando eu voltar poder ligar para minha mãe.
Passei na frente do espelho antes de sair. Meu Deus! Não que eu fosse ficar muito melhor, mas realmente estava com uma cara péssima. Cara de ressaca. Deve ser efeito da viagem, sei lá. Penteei os cabelos e sai. Melhor que aquilo não ia ficar.
Desci saltitante as escadas e cumprimentei o simpático porteiro. Caminhei algumas quadras e encontrei um mercado, não que eu não fosse muito boa na cozinha, mas tinha que comprar algo para me prevenir caso a fomo batesse no meio da noite. Tentei comprar coisas saudáveis para no fim do mês eu não estar um boto, mas sério não deu. Comprei várias guloseimas e gastei um bom dinheiro com porcarias, como diria minha mãe. Minha sorte é que ela não vai ver nada disso. Enquanto voltava, parei em uma lanchonete e pedi um Milk-Shake duplo, sentando em uma mesa perto da janela, e tomei-o enquanto observava o movimento da cidade.
[...]
Abri a porta e ouvi o toque do meu celular. Corri até a cozinha e atendi.
- Oi mãe!
- Ana! Está tudo bem? - Perguntou minha mãe aflita
- Tá sim mãe, é que fiquei sem bateria e não teve como ligar antes - Expliquei
- Como é ai filha? É tudo como você imaginava?
- Ainda não tive oportunidade de visitar os pontos turísticos que tenho listados, mas é muito bom estar aqui, e o apartamento é lindo, as pessoas são muito simpáticas e...
- Oi filha! - Exclamou meu pai - Como foi a chegada?
- Ah, eu ia me esquecendo desse detalhe! Acredita que dormi enquanto pousávamos em Londrina? Meu Deus, será que eu não podia estar acordada em um bom momento uma vez na vida? - Perguntei rindo e ele fez o mesmo
- Só você Ana! Olha filha, vamos desligar, a ligação não está muito barata e eu vou ter que vender um fígado se sua mãe continuar assim. Tenha uma boa semana, nos falamos por mensagens, nós te amamos pequena!
- Também amo vocês pai! - Exclamei ouvindo-o desligar.
Era bem coisa do meu pai contar os centavos pro minuto. Certo, minha vez de ligar para as meninas. Prometi a Jéssica e a Paola que ligaria assim que chegasse, eu queria muito tê-las trazido junto, mas os pais da Jéssica não permitiram. Ela ainda estava tentando convencê-los, porque afinal antes tarde do que nunca! Procurei na agenda do meu celular.
* Paola Cremosa * ~Ligar~
Ouvi risadas quando atendeu, e eu conhecia aquela risada, a Jess estava junto!
- Cacete Ana, pensei que não ia ligar nunca! Eu e a Jess estávamos calculando o preço por minuto pra ver se dava pra te ligar! - Eu ri e elas também
- Oiiii Aninha! - Exclamou a Jess ao fundo - Como é que vai?
- Porra Jéssica, me deixa falar! - Reclamou Paola - Como é que vai Anoca? É como a gente espera?
- É magnífico! Ainda não tive tempo de visitar os pontos turísticos, mas é tão aconchegante! Me sinto finalmente no lugar certo!
- Vadia, eu devia estar ai com você!
- E eu também! - Lembrou Jess - To tentando convencer meus pais, mas tá meio difícil.
- Cara vocês tem que vim pra cá logo! Nós três juntas vai ser tão legal!
- E você pensa que eu não sei?
- Olha meninas,vou desligar, essa ligação não deve tá custando muito barato, mas depois nos falamos pelo twitter, até mais!
- Até Aninha! - Ouvi a Paola dizer enquanto a Jess ria
Guardei as compras, e cortei a pizza que havia comprado em quatro pedaços, coloquei no micro-ondas, liguei meu notebook, abri o twitter e olhei as mentions. Como esperado, nada fora do normal. Exceto as minhas amigas adoráveis.
@Jeerigo: A essas horas a Anoca já tá em Londrina. Cadela!
@PaolaRigo1: HAHAHA nos aguarde, logo, logo vamos estar aí para te encher o saco!
Isso e mais nada. Afinal, por que haveria alguma coisa? Não sou celebridade ou algo do tipo.
Notas da Escritora:
Obrigado pelos comentários! Divulguem a fic se puder! Beijos!
domingo, 16 de novembro de 2014
Capítulo 1
- Calma mãe, eu não estou indo para a guerra! Está tudo bem! - Falei enquanto enxugava uma lágrima que caía sobre seu rosto
- Está tudo bem pra você Ana, sabe que eu tenho medo.
- Mãe, é Londrina! Não tem do que ter medo!
- Você diz isso porque é o seu sonho, é a cidade dos seus sonhos! Não queria deixar minha pequena ir embora tão cedo.
- Mãe, olha só, vamos nos ver novamente várias e várias vezes. Vamos nos ligar, mandar mensagens, e nos falar por mensagens de vídeo, você sabe como faz. Vai dar tudo certo, mantenha o pensamento positivo, você deveria estar feliz!
- Eu estou feliz meu bem, sei o quanto isso é importante para você! Mas não me tire do direito de me preocupar com meu bebê! - Ela riu e eu a acompanhei
- Esse é o meu sonho mãe! Não me lembro de um dia que estive mais feliz! - Ouvi o voo ser anunciado pela segunda vez - Se acalme, eu te amo. - Falei tomando - a um abraço gostoso, daqueles que a gente sente que é bem vindo e não quer soltar mais. Me segurou mais alguns segundos ali, apertada contra seu peito.
- Tome cuidado, a cidade dos seus sonhos também pode oferecer perigos, e me ligue assim que colocar os pés no chão novamente. Te amo pequena!
Então, olhei para o meu pai que mantinha o olhar fixo nas outras pessoas que se encontravam ali, firme e forte, sem derramar uma lágrima sequer. Ele não faz o tipo sentimental, essa parte na verdade, minha mãe faz pelos dois. Ele nos olhou e sorriu. Havia um brilho em seu olhar.
- Então pequena, conseguiu o que queria! - Exclamou risonho - Vai morar nas cidades do seu sonho, não é? - E me tomou em um abraço inesperado. Aconchegante, apertado,abraço de pai. - Boa sorte minha menina, Londrina te espera!
Eu amava o jeito do meu pai falar, eu me sentia importante. Revirava aquela felicidade em meu estômago. Sorri espontânea.
- É pai, Londrina me espera! - Concordei - Cuida bem da chorona, eu te amo muito! - Falei enquanto o voo era chamado pela última vez, ele respondeu apenas com um sorriso.
- Vai logo menina!
Soprei um beijo para a chorosa da minha mãe antes de passar pelos portões, ela estava encostada no ombro do meu pai, molhando sua camisa. Eu sabia que seria um início difícil para ela, já que eu passava grande parte do meu tempo com ela, mas tinha meu pai, ela entendia o que tudo isso significava para mim, e tenho certeza de que aos poucos, conseguia tranquilizá-la.
Sentei em minha poltrona, coloquei os fones de ouvido e deixei-me levar pelas músicas, eu nunca andei de avião. E espero que seja uma boa sensação, mas se não for, quem se importa se eu vou pousar em Londrina? A cidade dos meus sonhos, sempre fui encantada por ela, em todos os meus aniversários, no momento de assoprar a vela e fazer um pedido, esse sempre era o meu pedido. Ir até Londrina, a tão bela Londrina.
[...]
- Senhorita? - Abri meus olhos lentamente, um pouco confusa - Acabamos de chegar.
Parabéns Ana, chegamos em Londrina e você perdeu a vista de cima por estar d-o-r-m-i-n-d-o cara, dormindo! Essas coisas só acontecem comigo, olhei ao redor e o avião já estava vazio. Muito legal, também sou a última a descer do avião, no aeroporto de Londrina.
Desci apressada e fui caminhando para a "entrada" . Sentei em uma poltrona que encontrei vazia e peguei o celular, o bom é que já estava sem bateria. Acho que ligar para minha mãe ficaria para depois.
Depois de alguns minutos tentando, finalmente consegui um táxi. Minha avó havia alugado para mim um apartamento, contrato de um ano por enquanto. Se eu gostasse - E seria impossível não gostar - fechariam contrato para mais um ano.
Mostrei ao motorista simpático um papel onde estava escrito o bairro e tudo que era preciso para chegar.
- De onde você é senhorita? - Perguntou simpático taxista
- Bahia!
- Estudante?
- Bom, sim, estou pretendo morar aqui! - Exclamei empolgada
- Muitas meninas vem de outro estado morar aqui! - Exclamou orgulho, ah!, seu eu fosse londrinense também teria um orgulho imenso desse lugar. E quando eu percebi, já havia contado tudo como eu tinha ganho a viagem da minha avó e como minha mãe era contra. Por fim, quando acabei, resolvi aproveitar a paisagem que tinha o meu redor.
Abri minha janela e deixei o vento daquela cidade maravilhosa bater em meu rosto e procurei observar cada mínimo detalhe. Apesar de ser um pouco difícil, já que estava de carro. A arquitetura, as obras, as pessoas, as roupas, tudo, tudo aqui é magnífico!
Minutos depois, ele parou em frente a um prédio, apontando ele e em dizendo que era ali. Ajudou-me a tirar e carregar as malas até a portaria. Agradeci e paguei, parando em frente ao edifício onde eu iria morar, olhei ao redor, suspirei e agradeci por tudo aquilo ser exatamente como é.
- Está tudo bem pra você Ana, sabe que eu tenho medo.
- Mãe, é Londrina! Não tem do que ter medo!
- Você diz isso porque é o seu sonho, é a cidade dos seus sonhos! Não queria deixar minha pequena ir embora tão cedo.
- Mãe, olha só, vamos nos ver novamente várias e várias vezes. Vamos nos ligar, mandar mensagens, e nos falar por mensagens de vídeo, você sabe como faz. Vai dar tudo certo, mantenha o pensamento positivo, você deveria estar feliz!
- Eu estou feliz meu bem, sei o quanto isso é importante para você! Mas não me tire do direito de me preocupar com meu bebê! - Ela riu e eu a acompanhei
- Esse é o meu sonho mãe! Não me lembro de um dia que estive mais feliz! - Ouvi o voo ser anunciado pela segunda vez - Se acalme, eu te amo. - Falei tomando - a um abraço gostoso, daqueles que a gente sente que é bem vindo e não quer soltar mais. Me segurou mais alguns segundos ali, apertada contra seu peito.
- Tome cuidado, a cidade dos seus sonhos também pode oferecer perigos, e me ligue assim que colocar os pés no chão novamente. Te amo pequena!
Então, olhei para o meu pai que mantinha o olhar fixo nas outras pessoas que se encontravam ali, firme e forte, sem derramar uma lágrima sequer. Ele não faz o tipo sentimental, essa parte na verdade, minha mãe faz pelos dois. Ele nos olhou e sorriu. Havia um brilho em seu olhar.
- Então pequena, conseguiu o que queria! - Exclamou risonho - Vai morar nas cidades do seu sonho, não é? - E me tomou em um abraço inesperado. Aconchegante, apertado,abraço de pai. - Boa sorte minha menina, Londrina te espera!
Eu amava o jeito do meu pai falar, eu me sentia importante. Revirava aquela felicidade em meu estômago. Sorri espontânea.
- É pai, Londrina me espera! - Concordei - Cuida bem da chorona, eu te amo muito! - Falei enquanto o voo era chamado pela última vez, ele respondeu apenas com um sorriso.
- Vai logo menina!
Soprei um beijo para a chorosa da minha mãe antes de passar pelos portões, ela estava encostada no ombro do meu pai, molhando sua camisa. Eu sabia que seria um início difícil para ela, já que eu passava grande parte do meu tempo com ela, mas tinha meu pai, ela entendia o que tudo isso significava para mim, e tenho certeza de que aos poucos, conseguia tranquilizá-la.
Sentei em minha poltrona, coloquei os fones de ouvido e deixei-me levar pelas músicas, eu nunca andei de avião. E espero que seja uma boa sensação, mas se não for, quem se importa se eu vou pousar em Londrina? A cidade dos meus sonhos, sempre fui encantada por ela, em todos os meus aniversários, no momento de assoprar a vela e fazer um pedido, esse sempre era o meu pedido. Ir até Londrina, a tão bela Londrina.
[...]
- Senhorita? - Abri meus olhos lentamente, um pouco confusa - Acabamos de chegar.
Parabéns Ana, chegamos em Londrina e você perdeu a vista de cima por estar d-o-r-m-i-n-d-o cara, dormindo! Essas coisas só acontecem comigo, olhei ao redor e o avião já estava vazio. Muito legal, também sou a última a descer do avião, no aeroporto de Londrina.
Desci apressada e fui caminhando para a "entrada" . Sentei em uma poltrona que encontrei vazia e peguei o celular, o bom é que já estava sem bateria. Acho que ligar para minha mãe ficaria para depois.
Depois de alguns minutos tentando, finalmente consegui um táxi. Minha avó havia alugado para mim um apartamento, contrato de um ano por enquanto. Se eu gostasse - E seria impossível não gostar - fechariam contrato para mais um ano.
Mostrei ao motorista simpático um papel onde estava escrito o bairro e tudo que era preciso para chegar.
- De onde você é senhorita? - Perguntou simpático taxista
- Bahia!
- Estudante?
- Bom, sim, estou pretendo morar aqui! - Exclamei empolgada
- Muitas meninas vem de outro estado morar aqui! - Exclamou orgulho, ah!, seu eu fosse londrinense também teria um orgulho imenso desse lugar. E quando eu percebi, já havia contado tudo como eu tinha ganho a viagem da minha avó e como minha mãe era contra. Por fim, quando acabei, resolvi aproveitar a paisagem que tinha o meu redor.
Abri minha janela e deixei o vento daquela cidade maravilhosa bater em meu rosto e procurei observar cada mínimo detalhe. Apesar de ser um pouco difícil, já que estava de carro. A arquitetura, as obras, as pessoas, as roupas, tudo, tudo aqui é magnífico!
Minutos depois, ele parou em frente a um prédio, apontando ele e em dizendo que era ali. Ajudou-me a tirar e carregar as malas até a portaria. Agradeci e paguei, parando em frente ao edifício onde eu iria morar, olhei ao redor, suspirei e agradeci por tudo aquilo ser exatamente como é.
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